sexta-feira, 1 de julho de 2011

Continuam as rachaduras em residencias no Ingá.

Texto: Bárbara Grebe    e Luana  Souza

Moradores do bairro do Ingá, ainda sofrem com os problemas de rachaduras ocasionados pela construção de cinco obras que acontecem à todo vapor no entorno das Ruas Pereira Nunes e Nilo Peçanha, há mais de um ano. Conforme publicado há cerca de 3 meses, em A TRIBUNA, o problema já vinha sendo reclamado por pelo menos 10 moradores da rua.

Desta vez, outras 5 casas de uma vila, na rua Pereira Nunes já estão expostas aos riscos. Nas paredes, inúmeras rachaduras, infiltrações, enquanto os pisos dos quintais, já ameaçam afundar e se desprender das paredes. O aposentado Pedro Américo, de 60 anos, morador há 15 anos da vila mais próxima das construções, no número 121, é mais uma vítima das rachaduras e trincas causadas pelas constantes obras no  bairro.

Indignado, o aposentado contratou por conta própria um especialista em engenharia civil para avaliar os danos e os possíveis riscos nas residências. Na avaliação, realizada no início deste mês, o engenheiro José Bedran Simões, acompanhado de outro engenheiro que seria da própria construtora Cyrela, César Pinto, informaram que não há dúvidas de que os danos foram provocados pelo acúmulos das construções.
Segundo os vizinhos da obra, a empresa teria se prontificado a arcar com os prejuízos dos moradores, tendo apresentado uma planilha para que os mesmos fizessem um orçamento do total de custos que eles teriam com a reforma das casas. Segundo o aposentado, que acompanhou de perto as visitas técnicas dos engenheiros, o motivo causador das rachaduras seria uma escavação feita para realizar o rebaixamento de lençóis freáticos para baixar o nível da água, agravados pela técnica de grauteamento (que é a abertura de buracos no solo para a injeção de concreto em alta pressão com brocas). "Infelizmente não tem uma legislação que impeça a realização da obra, mas o ideal seria que fizessem um estudo geológico, para que fossem identificados os impactos ambientais e só então fossem dadas as liberações para iniciarem as obras", reivindicou o aposentado.

Além dos transtornos, os moradores reclamam ainda da falta de segurança no local, também  prejudicada por conta da obra vizinha à vila. Há menos de 2 meses, bandidos teriam invadido três das residências, através da obra, que por não estar cercada por tapumes, possibilitou o fácil acesso pelos fundos das casas. Os assaltantes conseguiram levar 1 aparelho Ipod, uma máquina fotográfica e uma quantia em dinheiro. Há quatro meses, três moradores da mesma vila que tiveram as casas bastante afetadas, estão  morando de aluguel em apartamentos de Icaraí, todos custeados em contrato pela Cyrela. "Os problemas e as fissuras nas paredes só estão aumentando a cada dia. Nos prometeram que a partir da construção da terceira lage do edifício eles cessariam com a retirada de água do lençol freático. O prédio já está todo erguido e até agora nada aconteceu. Não somos contra a construção predial, só não aceitaremos nossas casas com remendos", afirmou Américo.

Conforme explicou o aposentado, já foram realizadas 3 reuniões entre os moradores afetados e o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA-RJ). Através de um laudo emitido no dia 12 de dezembro do ano passado, informando que as vítimas deveriam procurar por conta própria seus direitos na justiça. “O resultado foi muito vago, esperávamos que eles dissessem as reais causas dos danos, fossem eles pelo batimento das máquinas bate estacas ou pelas alterações no lençol freático”, reclamou.

Na mesma Pereira Nunes, os condomínios Palais Royal, Nouvele Residence e as casas de números 72, 74 e 100 também sofreram o abalo das obras. Em alguns deles a caixa de força já apresentam trincas, os tetos estão com infiltrações e os pisos de entrada sofreram abaulamento (rebaixamento e desnivelamento do chão). Uma casa dos fundos de uma vila acabou interditada e a Igreja Católica Nossa Senhora das Dores, que fica na rua de trás, já apresenta rachaduras em toda a parte da cozinha. De acordo com os moradores, pelo menos 5 processos já foram instaurados em Juizados Especiais e no Ministério Público.

Além das cinco obras realizadas no local, outras duas construções já estão previstas para iniciar nos próximos meses. Desta vez comandada pela construtora Niskier, que chegou a comprar uma casa no número 133, ao lado do terreno, futuramente demolida para expansão da obra.

A Prefeitura de Niterói informou através de um laudo das equipes de engenharia da Defesa Civil, as casas de números 92, 96, 100, 101 e 104, onde foram encontradas uma  grande extensão de rachaduras de até quase 2cm, não apresentavam riscos de desabamentos. Eles informaram ainda, que a emissão do laudo teria ocorrido em um prazo de 90 dias desde a primeira visita técnica, em dezembro do ano passado. Além disso, o engenheiro do órgão teria feito uma visita às obras e afirmou que todos os documentos das construções e os procedimentos estavam corretos.

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