Bárbara Grebe e Wellington Serrano
Foto: Bruno Eduardo Alves
Abraço em defesa do Hospital Orêncio de Freitas
Em retaliação a demissão de cerca de 3 mil profissionais autônomos da rede de saúde de Niterói, os servidores do Hospital Orêncio de Fretas, no Barreto, ao invés de uma assembleia como o estava marcado para o início da tarde de ontem, fizeram uma reunião para organizar um abraço simbólico no hospital que já tem data definida para acontecer: no próximo dia primeiro de agosto (segunda-feira), às 10h da manhã.
Segundo a diretora do Sindicato dos trabalhadores Públicos, Federais em Educação em Saúde e Previdência Social do Estado do Rio (Sindsprev/RJ), Ivone Suppo, o corte de pessoal pode ter motivação eleitoral e estar sendo feito para reduzir os gastos com saúde, desviando recursos para obras de grande visibilidade que mostrem que a Prefeitura está trabalhando.
As demissões vêm sendo implementadas gradualmente e atingem prestadores de serviço que recebem por RPA. São mais de 3 mil nesta situação. A diretora do Sindsprev/RJ, Ivone Suppo, lembrou que o prefeito Jorge Roberto deixou de investir R$ 9,4 milhões previstos no orçamento municipal para a Saúde. “Isto mostra por que os hospitais públicos estão sendo ainda mais sucateados, prejudicando a população pobre, e, em contrapartida, são iniciadas obras caras, como o mergulhão do centro da cidade, bastante visíveis e de apelo eleitoral”, afirmou.
A diretora do Sindsprev/RJ levanta outra possibilidade para explicar as demissões, igualmente ligada à questão eleitoral. “O prefeito alega que as dispensas são uma determinação do Ministério Público do Trabalho que exige o respeito à norma constitucional de realização de concurso para a admissão de mão de obra no serviço público. Só que, ao invés de realizar o concurso o prefeito anuncia que para não prejudicar a população, fará contratos temporários de prestadores de serviço, em substituição aos demitidos, parecendo mais um acerto eleitoral”, argumentou Ivone Suppo.
CASOS DE PACIENTES
De acordo com a professora Mônica Regina de 44 anos, o atendimento do Hospital Orêncio de Freitas é um dos melhores da região, mas infelizmente já consegue ver a diferença depois das demissões. A professora contou a história de sua tia Jurandy Ferreira, de 80 anos, que foi levada primeiramente ao Hospital Geral de São Gonçalo com uma suposta alergia, mas não conseguiu a internação, pois o hospital alegou não ser um caso grave e apenas aplicou um curativo mandado-a de volta pra casa.
Jurandy foi levada para um pronto socorro de São Gonçalo, onde recebeu um encaminhamento para o Hospital Orêncio de Freitas. Segundo a Mônica, ao sair do pronto socorro, Jurandy, estava com a pele avermelhada e com muitos ferimentos. Ontem, ao chegar no hospital do bairro do Barreto não havia nenhum clínico geral para o atendimento, o que manteve a aposentada mais de uma hora sem atendimento. A paciente ficou no balão de oxigênio e depois foi levada em um carro particular para o Hospital do Andaraí, no Rio de Janeiro.
“ Eu só quero que olhem pelas pessoas que não tem condições de manter um plano de saúde, quem não tem plano hoje em dia é muito prejudicado. A saúde está muito precária no nosso estado, exclusivamente em Niterói, está terrível o atendimento. Estou insatisfeita com o serviço da SAMU, acho que deveria existir uma maneira de realizar uma melhora no atendimento. Fui super bem atendida aqui no hospital, mas infelizmente falta estrutura e médicos”, contou a professora.
Luíza Helena do Rosário de 46 anos, ex funcionária do hospital, foi operada há pouco mais de 2 semanas no Hospital Orêncio de Freitas. A enfermeira contou que inúmeras reclamações estão sendo feitas nos corredores da unidade. “ Aqui não tem recurso para trabalhar, o prefeito e o secretário de saúde disseram que querem fechar esse hospital, é inadmissível esse tipo de conduta. Os funcionários que restaram, estão com medo da demissão. Uma equipe inteira de enfermagem ser mandada embora, não é normal. Sou ex funcionária do hospital e inclusive paciente. Aqui existe estrutura sim para receber paciente para operação, clinico geral e entre outros. É só questão de organização”, concluiu Luíza.


