sexta-feira, 29 de julho de 2011



Bárbara Grebe e Wellington Serrano
Foto: Bruno Eduardo Alves

Abraço em defesa do Hospital Orêncio de Freitas


Em retaliação a demissão de cerca de 3 mil profissionais autônomos da rede de saúde de Niterói, os servidores do Hospital Orêncio de Fretas, no Barreto, ao invés de uma assembleia como o estava marcado para o início da tarde de ontem, fizeram uma reunião para organizar um abraço simbólico no hospital que já tem data definida para acontecer: no próximo dia primeiro de agosto (segunda-feira), às 10h da manhã.

Segundo a diretora do Sindicato dos trabalhadores Públicos, Federais em Educação em Saúde e Previdência Social do Estado do Rio (Sindsprev/RJ), Ivone Suppo, o corte de pessoal pode ter motivação eleitoral e estar sendo feito para reduzir os gastos com saúde, desviando recursos para obras de grande visibilidade que mostrem que a Prefeitura está trabalhando.

As demissões vêm sendo implementadas gradualmente e atingem prestadores de serviço que recebem por RPA. São mais de 3 mil nesta situação. A diretora do Sindsprev/RJ, Ivone Suppo, lembrou que o prefeito Jorge Roberto deixou de investir R$ 9,4 milhões previstos no orçamento municipal para a Saúde. “Isto mostra por que os hospitais públicos estão sendo ainda mais sucateados, prejudicando a população pobre, e, em contrapartida, são iniciadas obras caras, como o mergulhão do centro da cidade, bastante visíveis e de apelo eleitoral”, afirmou.

A diretora do Sindsprev/RJ levanta outra possibilidade para explicar as demissões, igualmente ligada à questão eleitoral. “O prefeito alega que as dispensas são uma determinação do Ministério Público do Trabalho que exige o respeito à norma constitucional de realização de concurso para a admissão de mão de obra no serviço público. Só que, ao invés de realizar o concurso o prefeito anuncia que para não prejudicar a população, fará contratos temporários de prestadores de serviço, em substituição aos demitidos, parecendo mais um acerto eleitoral”, argumentou Ivone Suppo.


CASOS DE PACIENTES

De acordo com a professora Mônica Regina de 44 anos, o atendimento do Hospital Orêncio de Freitas é um dos melhores da região, mas infelizmente já consegue ver a diferença depois das demissões. A professora contou a história de sua tia Jurandy Ferreira, de 80 anos, que foi levada primeiramente ao Hospital Geral de São Gonçalo com uma suposta alergia, mas não conseguiu a internação, pois o hospital alegou não ser um caso grave e apenas aplicou um curativo mandado-a de volta pra casa.
Jurandy foi levada para um pronto socorro de São Gonçalo, onde recebeu um encaminhamento para o Hospital Orêncio de Freitas. Segundo a Mônica, ao sair do pronto socorro, Jurandy, estava com a pele avermelhada e com muitos ferimentos. Ontem, ao chegar no hospital do bairro do Barreto não havia nenhum clínico geral para o atendimento, o que manteve a aposentada mais de uma hora sem atendimento. A paciente ficou no balão de oxigênio e depois foi levada em um carro particular para o Hospital do Andaraí, no Rio de Janeiro.
Eu só quero que olhem pelas pessoas que não tem condições de manter um plano de saúde, quem não tem plano hoje em dia é muito prejudicado. A saúde está muito precária no nosso estado, exclusivamente em Niterói, está terrível o atendimento. Estou insatisfeita com o serviço da SAMU, acho que deveria existir uma maneira de realizar uma melhora no atendimento. Fui super bem atendida aqui no hospital, mas infelizmente falta estrutura e médicos”, contou a professora.

Luíza Helena do Rosário de 46 anos, ex funcionária do hospital, foi operada há pouco mais de 2 semanas no Hospital Orêncio de Freitas. A enfermeira contou que inúmeras reclamações estão sendo feitas nos corredores da unidade. “ Aqui não tem recurso para trabalhar, o prefeito e o secretário de saúde disseram que querem fechar esse hospital, é inadmissível esse tipo de conduta. Os funcionários que restaram, estão com medo da demissão. Uma equipe inteira de enfermagem ser mandada embora, não é normal. Sou ex funcionária do hospital e inclusive paciente. Aqui existe estrutura sim para receber paciente para operação, clinico geral e entre outros. É só questão de organização”, concluiu Luíza.